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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Yunes:“Pacote era para Padilha”; ministro fará cirurgia delicada

 

Goste-se ou não de Eliseu Padilha, o fato é que ele tem sido eficiente, e essa é uma das suas funções, para impedir que pressões da base aliada cheguem diretamente ao presidente. Alguém indagará “Mas não é o que todo chefe da Casa Civil faz?” Bem, lembrem-se dos desastres de Dilma e cheguem à conclusão. Sendo assim, o governo tem algumas atrapalhações pela frente.

Padilha se licenciou do cargo e rumou para Porto Alegre. Segundo informa Mônica Bergamo, na Folha, vai se submeter a uma prostectomia radial, que consiste na retirada de toda a próstata.

Não vou aqui especular além do que se informou. O fato é que tal cirurgia é recomendada para os casos de câncer. O crescimento benigno do órgão não recebe esse tratamento. A informação otimista é que tal procedimento só é adotado pelos médicos quando a doença está encapsulada, sem ramificações ou metástases. Nesse caso, a chance de cura passa de 70% segundo especialistas. Trata-se, por óbvio, de uma intervenção agressiva.

A cirurgia será realizada neste fim de semana, e o ministro certamente ficará de molho alguns dias.

O problema se evidencia numa hora delicada para Padilha. A Folha  também que o empresário José Yunes, amigo pessoal do presidente Temer e seu ex-assessor especial, foi espontaneamente à Procuradoria Geral da República, na semana passada, prestar um depoimento  sobre um “pacote” que teria recebido em seu escritório e cujo destinatário era Padilha.

A que isso remete? Segundo a delação de um dos diretores da Odebrecht, num jantar no Palácio do Jaburu, Marcelo Odebrecht acertou, pelo caixa dois, uma doação de R$ 10 milhões para a campanha eleitoral do PMDB em 2014. O partido afirma que a operação foi legal e devidamente registrada. Segundo ainda o delator, um total de R$ 4 milhões seriam confiados a Padilha, e parte desses recursos foi entregue no escritório de Yunes.

O depoimento do amigo do presidente, segundo consta, não confirma a entrega do dinheiro. Ele diz ter recebido o pacote endereçado a Padilha. Em conversa com o jornal,  chegou a levantar a hipótese de ter sido usado como “mula” da operação.

Bem, o Brasil e o governo passariam melhor sem isso. Mas terão ambos se se haver com isso. É evidente que são fatores que geram instabilidade na base e criam dificuldades adicionais para o presidente.

Vamos ver. Uma hora a gente atravessa esse “portal”, não é? Dadas algumas antevisões, pode ser para pior. Como diria o poeta Horácio, qualquer que seja o destino que nos reservaram os deuses, cumpre suportá-lo.

 


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Imprensa: Jornalismo criativo prova conspiração com fonte anônima

Informei na segunda-feira de manhã que o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) seria o ministro da Justiça. A escolha nasce de algum certo extracurricular, para tentar livrar a cara deste ou daquele na Lava Jato? Com a devida vênia, é bobagem.

Mais uma vez, o que mais me incomoda nessa acusação de conspiração é a ausência de meios para que tal interferência se realizasse. Vivemos dias realmente notáveis. Ninguém mais precisa demonstrar um ponto de visa com argumentos. Mesmo alguns jornalistas já se dispensam dos fatos. No limite, há um recurso que os senhores diretores de redação precisam começar a disciplinar: a declaração em off que sustenta o lead.

Não que se deva desconfiar da honestidade e da honradez deste ou daquele, mas convenham: uma mentira deslavada pode ter como evidência outra mentira deslavada, não é mesmo?

Observem as diferenças. Posso escrever: “Um interlocutor de Temer, que prefere o anonimato, diz que o novo ministro das Relações Exteriores será Fulano de Tal”. O “meu” Fulano de Tal, por exemplo, é Sérgio Amaral. A informação pode ser publicada sem risco a ninguém. Se o escolhido for outro, não há prejuízo nenhum. Mesmo o jornalista que publicou a antevisão errada pode se escorar em hipóteses razoáveis: 1) o presidente mudou de ideia; 2) o convidado recusou a oferta; 3) houve pressão política de descontes etc.

Coisa muito distinta ocorre quando se informa que o presidente escolheu, por exemplo, um ministro para tentar, de algum modo, aplacar o ânimo de seus correligionários, que estão preocupados com a Lava Jato. De saída, há a informação, então, de uma ação deliberada.

Ora, essa deliberação requer evidências. E é nesse ponto que o “jornalismo de bastidores” está virando exercício de prestidigitação.  Não é raro que se encontre algo assim, com suas variantes: “Sob a condição do anonimato, um deputado da base do governo diz ser preciso fazer alguma coisa”. Aí não é possível.

Mas vou ainda além ao entrar no caso em espécie. Fiquemos com Osmar Serraglio. O que ele poderia, efetivamente, fazer para interferir na Lava Jato? Resposta óbvia: ora, mudar o diretor-geral da PF. Está claro, e já estava, que isso jamais acontecerá por determinação do governo.

A propósito: a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou, nesta quinta, uma nota parabenizando Serraglio (PMDB-PR) pela nomeação. Segundo o texto, o principal desafio será “encontrar soluções para acabar com a crise generalizada de segurança pública vivida pelo país”.

Como se nota, não há a preocupação de que o novo ministro possa interferir na Lava Jato.

Não obstante, Serraglio teve de se ajoelhar de frente para Curitiba, como em regra somos todos convidados a fazer hoje em dia, estejam os bravos rapazes certos ou errados. Em sua primeira declaração, o nomeado deixou claro que recebeu orientação expressa para se manter longe da Lava Jato — como se houvesse modo de se aproximar da coisa. E não há.

Alguém aí imagina, nos dias que correm, um ministro da Justiça a chamar o diretor-geral da PF para dizer algo como: “Olhe, precisamos dar um jeito de controlar essa operação…”

O que mais é preciso para que fique claro que a Lava jato não corre risco nenhum?

Usar um off como evidência de uma tramoia é só exercício de jornalismo criativo — vale dizer: é picaretagem.

Antigamente, o off era o começo de uma investigação. Agora é ponto de chegada — e isso na hipótese de que tenha existido e de que não seja ele também puro exercício de ficção.


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NÓS E OS ALGORITMOS

Por Maria Lucia Victor Barbosa (*)
Na sua magistral obra, Homo Deus, Yuval Noah Harari trata de temas extremamente complexos e instigantes de forma compreensível ao senso comum. Entre outros assuntos ele mostra com clareza o que é um algoritmo, termo que vai entrando na moda, mas que é pouco entendido pela maioria:
“Um algoritmo é um conjunto metódico de passos que pode ser usado para realização de cálculos, na resolução de problemas e na tomada de decisões”. Como exemplo simples de algoritmo ele dá uma receita de sopa em que os “passos metódicos” são os ingredientes usados para fazer o alimento.
Acrescenta o autor do best-seller que já vendeu mais de dois milhões no mundo, “que os algoritmos que controlam os humanos funcionam mediante sensações, emoções e desejos”, justamente o ponto que desejo abordar nesse pequeno e modesto texto. Isto porquê, se a tecnologia é algo extraordinário, dependendo do uso que se faz dela pode ser usada não para o bem e sim para o mal como tudo que é humano.


Fluxograma, um exemplo de 
algoritmo imperativo. O estado
 em vermelho indica a 
entrada do algoritmo
 enquanto os estados
em verde indicam as 
possíveis saídas.By Wikipedia
Um dos usos perigosos é o aperfeiçoamento da manipulação, que sempre existiu, mas que agora é elaborada por técnicas cada vez mais avançadas. Sem perceber a maioria obedece aos interesses de governos, de partidos políticos, da mídia, do marketing, do mercado, da opinião pública, de outras entidades ou grupos. Isso se faz através de passos metódicos baseados em algoritmos que manipulam sensações, emoções e desejos.
A mídia, conforme, Jorge Moreira, tem o “setting, um tipo de efeito social que compreende a seleção, disposição e incidência de notícias sobre temas que o público falará e discutirá. “A agenda é pautada por diversas conveniências do governo e da necessidade de verba de publicidade dos meios de comunicação”. “O que um canal de TV, um jornal ou uma revista postam, todos seus concorrentes seguirão a pauta”.
Como exemplo concreto relembro que o uso da mídia e do marketing foi largamente usado pelo governo petista, muito além de outros governos. Desse modo, Lula se tornou intocável, inimputável, sempre encaixado no papel de vítima. Criticá-lo era sacrilégio, crime de lesa-majestade, algo politicamente incorreto.
Eleito presidente da República na quarta tentativa, foi reeleito malgrado o escândalo do mensalão e, para provar que detinha quase a maioria do povo elegeu e reelegeu sua sucessora, uma façanha política e tanto.
O PT, que se disse puro, ideológico, capaz de mudar o que os outros partidos faziam de errado, continuou elegendo correligionários apesar de ter institucionalizou a corrupção. Os petistas haviam finalmente encontrado um bom marqueteiro que fazia a mágica.
Entretanto, uma das características da vida e das sociedades é o dinamismo e por um processo ligado a uma série de fatores mudanças acontecem mesmo em sistemas autoritários e totalitários. Nas democracias a insatisfação popular manifesta livremente é um dos fatores de mudança e nenhum governo resiste quando a economia vai mal.
Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff mergulharam o Brasil na pior recessão da nossa história. Como consequência aconteceu o impeachment na esteira da insatisfação popular. Atentos às suas necessidades de votos, parlamentares foram sensíveis à reivindicação de milhões de brasileiros que nas maiores manifestações já havidas no País foram às ruas pedir a saída de Rousseff.
O pior governo que o Brasil já teve esboroou com estrondo. Em vão o PT tentou chamar de golpe o que na verdade era resultado do inconformismo popular com o desemprego, a inflação, a inadimplência. Nas eleições municipais veio outro troco dos brasileiros: o PT perdeu 60% de suas prefeituras e Lula viu minguar seu prestigio.
Diante disto, lideranças petistas agora fazem cálculos para recuperar o enorme poder que já desfrutaram, mas sabem que só podem resgatá-lo mediante a volta à presidência da República do seu único candidato viável, Lula da Silva, em que pese este ser cinco vezes réu.
Apropriadamente surgiu uma pesquisa benfazeja mostrando Lula em primeiro lugar. Pesquisas podem funcionar como marketing, pois pessoas costumam votar em quem está no topo das escolhas para também sentirem vencedoras. O PT sabe disso e tem esperança de que seu líder volte a ser amado enquanto dirige o foco do ódio, que tão bem sabem manejar, para outras figuras como Temer, Alexandre de Moraes, a Polícia e até Trump, presidente dos Estados Unidos do qual não se deixa de falar mal um dia sequer.
Lula sabe instintivamente manipular sensações, emoções e desejos. Em 2018 tudo vai depender das circunstâncias, mas é bom lembrar do que escreveu Nicolau Maquiavel, em 1513, na sua eterna obra, O Príncipe: “Os homens são tão pouco argutos e se inclinam de tal modo às necessidades imediatas, que quem quiser enganá-los encontrará sempre quem se deixe enganar”.

(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, autora entre outros livros do “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a ética a malandragem” e “América Latina – em busca do paraíso perdido”.


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Sponholz: Enrolado na serpentina.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

OS PINGOS NO IS – Michel Temer foi muito bem até aqui. Adiante!


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Temer, até agora, conseguiu responder à necessidade com a coragem

Assistam a este vídeo.

Sem uma reforma da Previdência, o Brasil continuará quebrado — sim, é importante deixar claro que já está quebrado hoje. Quando nos damos conta do que vivemos do começo de 2016 até esta data, algo como um milagre — que, definitivamente, não frequenta a política — parece ter acontecido. Temos um governo que se instaurou, segundo as regras da democracia, enfrentando, não obstante, a maior máquina de mobilização social (não se entra aqui no mérito da pauta) jamais criada no país. De mobilização social, mas também de assalto aos cofres públicos, de assalto ao Estado de Direito, de assalto à institucionalidade e, por tudo isso, também de assalto à matemática.

Por que o Brasil é, de fato, sui generis nesse particular? Precisamos de um estudo mais detalhado, temos de aprofundar a investigação das mentalidades. O Brasil corporativista que aí está nasce do que pior poderia nos legar um regime fascistoide, o de Getúlio Vargas: há a imposição da diretriz de um suposto “estado abstrato”, que só teria como ponto de chegada o bem comum — é o fascismo de direita —, e há a ideia da assistência universal, do Estado provedor, fonte das generosidades: também é herança da cultura fascista, mas de esquerda.

E quem senão Getúlio Vargas juntou essas duas coisas numa só personagem? É endeusado em certos círculos intelectuais como figura única na história. Sem dúvida: nunca um fascista de direita, e isso que era originalmente como crença política, foi adotado com tanta generosidade pelos socialistas, os fascistas de esquerda. Ele nos legou um modelo destinado a não funcionar. E é glorificado. Acredito que nem nas ditaduras mas ferozes do planeta o líder de um regime que torturou e matou de forma inédita daria nome a instituições e logradouros públicos. O autoritarismo está entranhado em nós.

O Brasil passa por um momento notável, em que pistoleiros de quinta categoria, que não leram nada de relevante sobre o Brasil, se atrevem a explicar o país e o mundo. Alguns deles ficam mendigando dinheiro na Internet. Vigaristas! Afirmei certa feita que o PT é, sim, partido de esquerda, mas que “socialista” propriamente não é. Ora, basta ver sua política e suas relações com o empresariado. Mas aí o velho doido, tirando cocó de uso da sola do sapato, proclama: “Os empresários também são comunistas”. Em suma, todos têm de ser comunistas para que ele possa ser o profeta. Lixo.

As consequências mais nefastas dos 14 anos de poder petista não têm nenhuma relação direta com seu viés de esquerda. O pior Brasil que o PT nos deixa como herança é, sim, o país getulista, carregando aquela mesma ambiguidade do Getúlio original: há o viés autoritário, centralizados, supostamente organizador do próprio capitalismo — estudem a relação que Lula estabeleceu com as empresas —, e há o viés do distributivismo doidivanas, que não olha o caixa. Nessa hora, a esquerda se arrepia: “Reinaldo acha que o povo tem benefícios demais!” Não! Acho que tem é de menos. Precisamos de benefícios sustentáveis.

Coragem

Chegar ao poder nas condições em que Temer chegou; ter de formar uma maioria no Congresso que precisa ter uma folga para surpresas e traições de última hora; saber que uma mudança essencial tem de ser feita para que o conjunto se sustente; ter clareza de antemão de que tal mudança mobiliza essa tradição arraigada de estado-patrão, bem, meus caros, isso tudo requer um político de coragem.

Foi assim com a PEC do Teto de gastos, com a mudança das regras do pré-sal — projeto de Serra que o governo apoiou —, com a renegociação da dívida dos Estados, com o reconhecimento de que a segurança pública é agora também um problema federal.

E isso se dá num momento em que forças messiânicas, de extrema-direita e de extrema-burrice tentam, na prática, inviabiliza o país, transformando a política e os políticos numa espécie de obsolescência.

Que reforma haverá?

A proposta do governo é boa, dada a conjuntura política. Ela vai ao limite do potencial do Congresso — é uma pena que textos não possam ser debatidos no vácuo. Quem entende o sentido das palavras já percebeu: é muito provável que concessões tenham de ser feitas. Ainda que muitos possam achar a democracia uma porcaria, ainda é o que se pode ter de melhor para responder, inclusive, às demandas distributivas.

No alto, vai dos vídeos produzidos pelo site http://ift.tt/2mcpCxo. Ajude a divulgar.

É improvável que o país viva de novo conjuntura tão favorável como a que temos para emplacar a reforma.

 


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Deputado do PMDB, Serraglio assumirá Ministério da Justiça

Conforme este blog antecipou na segunda-feira, dia 20, a VEJA.com confirma:

Após a aprovação de Alexandre de Moraes como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer escolheu o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) como novo ministro da Justiça e Segurança Pública. O nome dele ganhou força após a recusa do advogado Carlos Velloso, que recusou o convite na última sexta-feira, alegando motivos particulares.

Com a escolha, a bancada do PMDB consegue seu objetivo e assume mais um ministério de peso na Esplanada. O ponto alto da carreira do parlamentar foi em 2005, quando ele, um jovem deputado em segundo mandato foi escolhido para ser o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, que desencadeou o escândalo do Mensalão.


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