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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Despedida!

Rodrigo foco oficial

Caros leitores,

Esse blog chega ao seu fim, após mais de dois anos de intensa atividade, praticamente sem descanso. Quando escrevi meu texto inaugural, disse: “Espero contribuir à altura para a qualidade desse time de respeito, com opiniões embasadas e bons argumentos em defesa da liberdade”. Acrescentei ainda: “Espero criar, aqui, um ótimo ambiente de debate, calcado nos argumentos, evitando ofensas pessoais. Comentários críticos serão aceitos e bem-vindos, desde que focados em argumentos. Somente por meio dessa conversa poderemos progredir, avançar rumo a um país mais livre e próspero”.

Sei que nem sempre consegui cumprir a promessa mas, em geral, tivemos ótimos debates, inúmeros comentários críticos foram aceitos, e procurei focar nos argumentos e nas ideias, apesar de alguns ataques pessoais no percurso (ninguém é de ferro). Fiquei muito feliz com essa troca, e por ter oferecido forte resistência ao PT e seus aliados que tentam destruir nossa democracia – com algum sucesso até agora. Os meus excessos são de minha responsabilidade, e já confessei aqui que o PT me faz ser uma pessoa pior.

Vocês, desnecessário dizer, tornaram possível isso tudo, vindo religiosamente visitar esta página, compartilhando, curtindo, participando. Foram 51 milhões e uns quebrados de visitas desde o começo. Uma boa ideia, portanto! Milhares e milhares de comentários moderados diretamente por mim, em centenas de artigos. O ritmo foi um tanto alucinado, mas é que o Brasil tem pressa e fome por liberdade, imerso num contexto de coletivismo e intervencionismo. Tenho orgulho de ter sido o responsável por um dos blogs mais lidos do país, graças a vocês!

Agradeço em especial a todos da VEJA também, um time de primeira. Apostaram no economista “radical” e “polêmico”, tiveram a coragem de bancar os ataques orquestrados do lado de lá, a campanha de difamação pérfida de quem vive de “pixulecos”, e permitiram que essa plataforma chegasse a milhares de novos leitores, muitos descobrindo o liberalismo pela primeira vez na vida. Obrigado aos colegas da VEJA por tudo!

A batalha árdua por mais liberdade continua em outros canais. Como vocês sabem, tenho o meu Twitter, a minha página de Facebook, meu canal do YouTube, e o Instituto Liberal, do qual sou presidente do Conselho Deliberativo. Depois do sucesso do meu curso sobre economia, em breve vem mais um curso pela Kátedra, dessa vez mais filosófico e teórico, sobre a trajetória das ideias liberais. E vocês também poderão continuar lendo minhas colunas quinzenais no GLOBO, às terças-feiras. Ou seja, não precisamos dizer “adeus”; basta um “até logo!”

Rodrigo Constantino



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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Deseja entender como chegamos nessa crise econômica e como sair dela? O que está esperando?

 

Katedra

Caros leitores,

Economia pode ser um assunto enfadonho, mas pode ser também fascinante. Independentemente disso, ele é sempre essencial. Você pode até escolher ignorá-lo, mas ele jamais irá te ignorar. Afinal, as medidas econômicas, para o bem ou para o mal, sempre afetam nossas vidas.

Foi com base nisso que preparei meu primeiro curso online de economia, voltado para os mais leigos mesmo. O intuito é disseminar os princípios básicos do funcionamento do mercado e do governo, para que cada um possa compreender melhor as consequências das medidas políticas e econômicas.

O resultado ficou muito bom, segundo os mais de 260 alunos que participaram do curso. E ele agora pode ser adquirido por você também, que perdeu a oportunidade antes. O curso pode ser parcelado em até 3 pagamentos de R$ 60,00 sem juros pelo PagSeguro. A Kátedra oferece também as opções de pagamento por PayPal e por boleto bancário (esta última à vista, com desconto).

Abaixo, a descrição do produto:

O curso Bases da Economia: entendendo o funcionamento do mercado foi ministrado em nosso ambiente virtual de aula, e você pode acompanhar as aulas no ritmo que quiser e puder, e vê-las quantas vezes desejar nos 30 dias seguintes à compra do curso. Você recebe também acesso ao grupo de discussões no Facebook, onde alunos e ex-alunos trocam ideias e experiências sobre os assuntos abordados, assim como uma lista de quase 40 livros recomendados sobre o tema.

A duração média de cada aula foi de uma hora e quinze minutos.

Ementa

Aula 1 – O Mercado

  • O processo de formação de preços
  • O lápis e sua árvore genealógica
  • A mão invisível

Aula 2 – Intervenção do Estado

  • Os monopólios natural e artificial
  • Os cartéis e as barreiras de entrada
  • Concorrência desleal
  • Poder arbitrário: os 3 empresários presos

Aula 3 – Moeda e crédito

  • A origem do dinheiro
  • O preço do dinheiro
  • Dinheiro: fonte do mal?

Aula 4 – Bancos

  • Origem: recibos de armazém
  • Sistema de reserva fracionária
  • Padrão-ouro e free banking
  • A origem do Fed, o Banco Central Americano
  • Moral Hazard

Aula 5 – Taxa de juros

  • O custo do capital
  • Expansão interbancária: criando moeda
  • Poupança artificial
  • O ciclo econômico

Aula 6 – Salários e desemprego

  • O mercado de trabalho
  • Tecnologia e produtividade
  • Salário mínimo e sindicatos
  • As causas do desemprego
  • Teoria da exploração e mais-valia
  • Curva de Phillips

Aula 7 – Globalização

  • A era da especialização
  • Mercantilismo e protecionismo
  • Vantagens comparativas
  • Globalização: corrida para baixo?
  • Balança comercial e de pagamentos
  • O argumento da reciprocidade (Bastiat)

Aula 8 – Tributação

  • Impostos: legítimos ou roubo?
  • Progressividade: punir ricos ajuda pobres?
  • Curva de Laffer

Aula 9 – Falhas de governo

  • Public Choice School
  • Falhas de mercado: há cura?
  • Falácia do Nirvana

Aula 10 – Conclusões

  • Capitalismo de estado vs laissez-faire
  • Por que o livre mercado?


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Milagre: o dia em que concordei com Greg!

Gregorio Duvivier, humorista e "progressista" que pensa pela Porta dos Fundos

Gregorio Duvivier, humorista e “progressista” que pensa pela Porta dos Fundos

Hoje vai chover. Na verdade, aqui em Weston, a menos, já está chovendo, e muito. E tudo porque aconteceu o que parecia impossível, o inimaginável: eu concordei com Gregorio Duviver! Mas calma, antes de chegar ao final chocante, vamos começar pelo começo, que é o mais recomendável.

Em sua coluna de hoje na Folha, Greg faz todo um arrazoado sobre macacos e tartarugas para chegar ao cerne da questão: condenar o homossexualismo por ser “antinatural” não faz muito sentido, já que o natural, quando se trata de animais, é a busca pelo prazer. Diz o humorista:

Uma grande parcela dos carneiros machos jamais fez sexo heterossexual e é fiel a um parceiro só –macho. Um em cada dez peixes-palhaço troca de sexo ao longo da vida. Coalas fêmeas organizam intermináveis orgias lésbicas. Golfinhos penetram no buraco de respirar de seus colegas, experimentando as delícias do prazer nasal. Há focas que preferem pinguins –embora estes raramente prefiram focas.

Freud dizia –estou parafraseando– que existem tantas sexualidades quanto existem seres humanos. Se morasse no Rio ou tivesse TV a cabo, talvez dissesse que existem tantas sexualidades quanto seres vivos (e isso sem falar nas plantas).

Os detratores da homossexualidade alegam que ela não é natural –como se o natural fosse amar um ser só, do sexo oposto, a vida inteira. De fato, parece que algumas lagostas são heterossexuais e monogâmicas. Mas quem mora no Rio de Janeiro ou assistiu a meia horinha de Discovery Channel sabe muito bem que nada é mais natural do que o prazer. Je suis macaco-prego.

Já que Greg citou Freud, talvez fosse interessante ele ler também Mal-estar na Cultura, livro em que o “pai da psicanálise” fala da importância dos freios civilizatórios para os seres humanos. O conceito de “pulsão de morte” vem bem a calhar aqui: deixado aos próprios “instintos”, o homem pode facilmente se destruir. O alerta de Burke captura bem isso:

A sociedade não pode existir, a menos que um poder que controle a vontade e o apetite seja colocado em algum lugar, e quanto menos exista interiormente, mais dele existirá exteriormente. Está ordenado na constituição eterna das coisas, que homens de mentes intemperantes não podem ser livres. Suas paixões forjam seus próprios grilhões.

Do mundo animal, referência moral de Greg, temos também várias atrocidades. É natural, por exemplo, comer (literalmente) os outros sem pedir licença, envenenar as vítimas enquanto os filhotes degustam de sua carne paralisada, engolir a cabeça do macho após o coito etc. Alguns índios, para chegar a nossa espécie, praticam infanticídio. Pergunto-me quais dessas experiências Greg também deseja participar, em nome do “natural”…

Os “progressistas” como o Greg não querem aceitar limites ao desejo, ao impulso, ao instinto, aos apetites, tais como crianças mimadas – ou macacos-pregos. Para eles, se bateu vontade, isso é o que basta para fazer algo. O prazer imediato é o único guia moral. A gula jamais seria um pecado, assim como a luxúria. Aliás, pecados não existiriam, e tudo seria permitido. Os “progressistas” confundem liberdade com libertinagem, algo um tanto fora de moda depois da década de 1960 – e todo o estrago que ela causou.

“Mas calma lá, Rodrigo, você disse – e colocou até no título – que tinha concordado com Greg, e acima fica claro que você está criticando seu texto, uma vez mais. Você mentiu?”. Não, eu não menti. Eu não disse que concordava com tudo que o Greg escreveu hoje. Eu concordei com uma pequena parte, para dizer a verdade. Somente com a conclusão, para ser mais específico. “Je suis macaco-prego”, diz o rapaz. E como discordar?

Rodrigo Constantino



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Sindicalismo + socialismo = violência

Xavier Broseta, da Air France, sai da reunião com as roupas rasgadas após anunciar cortes (Jacky Naegelen/Reuters)

Xavier Broseta, da Air France, sai da reunião com as roupas rasgadas após anunciar cortes (Jacky Naegelen/Reuters)

A linguagem dos sindicalistas costuma ser a violência. Muitas vezes esses sindicatos são apenas a institucionalização da agressão, da intimidação de quem só sabe pilhar, nunca construir riqueza. Somado ao viés socialista, a combinação é explosiva. Thatcher conheceu bem isso, pois enfrentou com coragem e determinação as máfias sindicais inglesas, mesmo com atentados terroristas à época.

A França nunca teve um líder com a mesma postura de estadista. Ao contrário: colocaram no poder um socialista que, para chegar a apenas medíocre, teria que melhorar muito. Sob a covardia de Hollande, e imersa numa mentalidade estatizante, a França avança rumo à decadência, ainda que com elegância. Ou não mais, como mostra essa notícia:

Dois altos executivos da companhia aérea Air France precisaram sair correndo e escoltados da sede da companhia nesta segunda-feira. A empresa passa por um processo de reestruturação que prevê demitir 2.900 postos de trabalho entre 2016 e 2017. O presidente da Air France, Frederic Gagey, e o diretor de recursos humanos, Xavier Broseta, participavam de uma reunião da diretoria na sede da empresa que anunciava o plano de cortes, quando um grupo de trabalhadores invadiu o prédio e saiu ao encalço dos dois executivos.

Para escapar do local, Broseta teve que pular uma grade com o auxílio dos seguranças, e chegou a ser agredido pelos trabalhadores mais exaltados. Ele teve o paletó e a camisa rasgados. Segundo o jornal francês Le Monde, a Air France condenou as ações e vai entrar com uma queixa por “violência agravada”.

Diante da crescente concorrência no setor aéreo do país, a Air France formatou um plano de aumento de produtividade, que estava sendo discutido com os sindicatos. Na semana passada, no entanto, a companhia deu as negociações por encerradas e acusou os representantes dos pilotos de não quererem ceder – eles não aceitavam fazer mais horas de voo pelo mesmo salário. Por isso, lançou um plano alternativo de redução da atividade que passa, pela primera vez em sua história, por eliminação de vagas de trabalho.

São as forças do atraso lutando contra o benefício de milhões de consumidores. A lógica é a seguinte: para preservar algumas centenas de empregos, condena-se todos os milhares de empregos da empresa, que não teria como competir com as demais. Ou então a solução preferida desses sindicatos: fechar o país à concorrência, impedindo que empresas mais eficientes possam atender melhor seus clientes.

Os sindicalistas são brutamontes que, incapazes de argumentar, partem para a violência. Países mais avançados, capitalistas e liberais, conseguiram domar essas feras e reduzir sua esfera de influência, privatizando estatais e mergulhando num ambiente dinâmico de livre concorrência. Já os países com mentalidade mais coletivista e estatizante se tornaram reféns dessa praga sindical, que quer levar no grito sempre, que luta para impor um fardo ao povo em troca de privilégios indevidos.

Fosse pela ótica desses sindicalistas, o mundo ainda teria lampiões em vez de luz elétrica, carroças em vez de carros, e máquinas de escrever em vez de computadores, tudo para impedir a concorrência “predatória” que “elimina” empregos. Ou se combate o sindicalismo socialista, ou o resultado será sempre esse: a intimidação com a violência para a obtenção de privilégios. É a lógica do butim, dos saqueadores, dos bárbaros.

Aproveito para perguntar ao leitor: que bem fará aos clientes da Air France uma empresa no vermelho, com prejuízos, sem poder investir o adequado em segurança e tecnologia para ter que garantir um quadro de funcionários inchado e desnecessário? Será que esses sindicatos não se importam com a vida em perigo dos passageiros?

Rodrigo Constantino



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A velha política adotada pelo PT dá fôlego a Dilma, mas não a salvará do impeachment

As criaturas do pântano lutam contra o progresso institucional brasileiro.

As criaturas do pântano lutam contra o progresso institucional brasileiro.

O Brasil cansa, e os brasileiros decentes estão cansados, muito cansados da política nacional. Os antigos métodos clientelistas foram colocados em prática pelo PT em patamar nunca antes visto neste país. O que vemos hoje é um confronto entre o Novo e o Velho, entre aqueles que desejam criar uma verdadeira República pela primeira vez na história brasileira, e aqueles que lutam desesperadamente para preservar privilégios, tetas estatais, o Antigo Regime.

Vários artigos publicados hoje nos jornais apontam na mesma direção, trazem mensagens parecidas que ilustram esse conflito entre quem deseja modernizar nossa política e quem só pensa em permanecer no poder, mamando no estado. Abaixo, trechos desses artigos, que retratam a principal batalha em curso no Brasil de hoje.

Denis Rosenfield, no Estadão:

Em todos esses anos petistas, o PMDB, apesar de seus problemas, tem sido um poderoso fator de estabilidade institucional e de moderação política, impedindo excessos político-sociais e advogando pela unidade do país. E se adotou esse rumo, isto em muito se deve à atuação de seu presidente, Michel Temer, também vice-presidente da República. Note-se que, sob a sua liderança, o partido conseguiu conciliar suas desavenças internas, mantendo-as sob controle. Publicamente, o partido sempre tem aparecido unido, procurando resolver seus problemas internamente. Foi, neste sentido, particularmente bem-sucedido, ganhando credibilidade e legitimidade.

Ora, o que fez a presidente da República? Resolveu implodir essa união, como se ela devesse dar agora as cartas. Passou literalmente por cima do presidente do partido e decidiu estabelecer uma negociação direta com o deputado Leonardo Picciani, representante do baixo clero, em particular carioca. O recado dado foi o de que o deputado não mais deveria passar pelo seu presidente partidário e vice-presidente da República, passando a falar diretamente com ela. A presidente decidiu por seu vice de lado, apesar de declarações públicas de apreço. Alienou um aliado decisivo!

Ficou, agora, refém desta ala particularmente fisiológica do PMDB, não tendo mais nenhum escudo. Será obrigada a fazer a política miúda, aquela que diz desprezar. E o fará sem nenhum anteparo. De imediato, teve de engolir suas indicações para o Ministério, entre elas a da Saúde. Observe-se que o partido teria nomes qualificados para essa pasta, como os dos deputados Osmar Terra e Tarcísio Perondi, ambos médicos, entre outros. Evidentemente que a escolha não poderia, dadas as condições existentes, recair sobre eles.

Paulo Guedes, no GLOBO:

O governo recupera o fôlego com cargos e verbas para o PMDB e o fatiamento das investigações do Petrolão. As práticas fisiológicas no Legislativo e as manobras de abafamento das investigações e de influência sobre os julgamentos no Judiciário são a essência da Velha Política. As sugestões de Sarney a Lula para escapar do mensalão foram repassadas e finalmente ensaiadas por Dilma Rousseff. A cooptação parlamentar e a perspectiva de ajuste fiscal compram tempo e acalmam os mercados.

A má notícia para o governo é que o fôlego de suas manobras pode se revelar curto. Pois têm dimensões oceânicas os vagalhões da crise atual. As irresponsáveis pedaladas fiscais vão a julgamento pelo Tribunal de Contas da União. As suspeitas de irregularidade no financiamento da campanha presidencial serão avaliadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os pedidos de impeachment serão celeremente encaminhados pelo presidente da Câmara dos Deputados, indignado com as acusações de malfeitos milionários, cuja coordenação e vazamento são por ele atribuídos aos responsáveis por malfeitos bilionários.

O principal obstáculo às táticas anacrônicas e desmoralizantes do governo é a dinâmica de comunicações de uma sociedade aberta em evolução. Pois o fisiologismo dos parlamentares e a cumplicidade do Judiciário são apostas contra o inevitável aperfeiçoamento de nossas instituições. Ignoram a voz das ruas. A opinião pública já tem a desconcertante percepção de que o establishment trabalha de fato pela impunidade. Quando Dias Toffoli, em defesa do fatiamento no Supremo Tribunal Federal, perguntou se existia apenas um juiz no Brasil, deveria perceber que o entusiasmo da opinião pública pelo desempenho de Sérgio Moro sugere atordoante resposta: “Competentes e probos como ele, poucos.” Afinal de contas, são décadas de escândalos, roubalheiras e impunidade.

Aécio Neves, na Folha:

O arremedo de reforma ministerial que acaba de ser anunciado expõe ao limite máximo a constrangedora fragilidade da presidente da República e tem como principal efeito o adensamento da desqualificação da sua gestão à frente do país.

No momento em que o Brasil precisava de um gesto de desprendimento e coragem para fazer mais do que uma reforma, uma revolução gerencial, com intervenções profundas na estrutura governamental e a introdução de mecanismos inovadores em busca de eficiência e resultados, além de uma imperativa limpeza ética, o que se viu foi uma reforma marcada pela covardia e pela farta distribuição de nacos de poder, como se fossem mercadorias entregues àqueles que, de alguma forma, ameaçavam a permanência da presidente no cargo.

Ou alguém em sã consciência pode acreditar que a escolha dos novos ministros – para ficar apenas nas duas pastas mais relevantes – teve como objetivo melhorar a qualidade da saúde pública oferecida aos brasileiros ou colocar de pé a falaciosa “pátria educadora”?

O parto de uma República que mereça tal nome não será jamais indolor. Afinal, não se constrói uma nação sem luta, sem uma elite disposta a liderar um processo de amadurecimento institucional. Os anos todos de governo petista tiveram um custo enorme para o país, afundaram a economia, banalizaram a corrupção, degradaram os valores morais. Mas também serviram para despertar a população e unir boa parte do país em torno de interesses comuns, como o fortalecimento de nossas instituições.

Joaquim Barbosa e Sérgio Moro não se tornaram heróis por acaso. O Brasil estava carente de representantes do “bem comum”, contra uma patota que enxerga no estado somente um negócio lucrativo, para sugar até o último centavo dos recursos públicos. A “coisa pública” (res publica) havia sido totalmente substituída pela “cosa nostra”, típica de máfias. Como já disse, o PT não inventou nada disso; “apenas” levou o esquema ao estado da arte imoral.

Não aguentamos mais! O país está claramente dividido, não em proporções iguais, mas com desigualdade de forças, entre a maioria que quer mudanças profundas e a minoria encastelada no poder, lutando contra reformas estruturais e o avanço institucional. A “reforma ministerial” de Dilma pode lhe dar fôlego, mas não vai impedir seu impeachment, pois a pressão popular também conta.

Quando Joaquim Levy toma o partido das “forças do pântano”, demandando mais impostos ainda do trabalhador sofrido, por exemplo, ele escolhe o lado errado e age como inimigo do povo brasileiro, e sente essa pressão no dia a dia, em seu cangote. Os petistas não estão mais conseguindo frequentar restaurantes, pois atraem a fúria e a revolta dos presentes. O gigante acordou?

A “neutralidade” não é mais uma opção. Chegamos a um ponto sem retorno. Daqui, ou vamos conseguir derrotar as bestas do Antigo Regime e construir, passo a passo, uma verdadeira nação, ou vamos afundar de vez no clientelismo fisiológico das republiquetas, como fizeram os países sob o bolivarianismo que o PT defende. Ou vai, ou racha! Não há mais espaço – nem paciência, nem recursos – para a Velha Política. Chegou a hora do Novo!

Rodrigo Constantino



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Socialismo em Marte

marciano

Por João Cesar de Melo, publicado pelo Instituto Liberal

Há décadas que pesquisadores independentes denunciam a conspiração internacional liderada pelos Estados Unidos para se ocultar a vida extraterrestre, mas, enfim, a verdade está sendo revelada.

Antecipando as próximas declarações da NASA, os mais respeitados pesquisadores, intelectuais e artistas da Terra estão se unindo para informar ao público que não apenas existe água em estado líquido em Marte, mas também vida inteligente; e as criaturas que lá habitam são hominídeos como nós, porém, que vivem há milhões de anos excluídos pelo capitalismo, sobrevivendo na extrema miséria.

Nossos companheiros marcianos foram saqueados pela ganância dos capitalistas estadunidenses de tal maneira que não lhes restou nem cidades, nem estradas, nem florestas, nem plantações. Não foi um mero acaso constrangedor que a maioria das fotografias vazadas dos arquivos da NASA nas últimas décadas mostrarem marcianos nus e raquíticos. Estas fotografias registram a triste condição de miséria que o capitalismo impôs aos marcianos. Os tantos “ovnis” avistados por bilhões de pessoas ao longo de nossa história foram seus desesperados pedidos de ajuda. Uma ajuda que foi sistemática e criminosamente negada pelos Estados Unidos. Outros governos participaram dessa conspiração. Um deles foi o de Fernando Henrique Cardoso.

Além de ter quebrado o Brasil 3 vezes e de ter entregue a Vale ao capital financeiro, FHC ocultou do povo brasileiro a verdade sobre os acontecimentos em Varginha-MG, no ano de 1996. Quem se lembra disso? Poucos, pois a grande mídia brasileira, a serviço do PSDB e da CIA, abafou o caso, a despeito das denúncias feitas pelos movimentos sociais de que os marcianos foram capturados e enviados secretamente à base estadunidense em Guantánamo.

Mas, afinal, por qual razão nossos companheiros marcianos foram covardemente perseguidos e massacrados?

Porque eles sempre foram verdadeiros socialistas. Porque os marcianos nunca foram egoístas. Nunca exploraram os mais fracos. Nunca permitiram o surgimento de classes sociais. Nunca perseguiram o lucro.

Por causa do espírito coletivista de sua civilização, os marcianos prosperaram a um nível que a maioria dos seres humanos sequer imagina ser possível. Porém, tal sucesso foi detectado pelos Estados Unidos que, invejosos e inescrupulosos como são, empenharam grandes esforços não apenas em lhes roubar as tecnologias, mas também em destruir sua civilização para que não influenciassem outros povos. Nossos camaradas russos bem que tentaram defender os marcianos, mas também sucumbiram ao ódio e à intolerância da burguesia capitalista mundial.

Eletricidade e calças jeans, internet e guitarras… Tudo o que sustenta o imperialismo estadunidense foi roubado dos nossos companheiros marcianos.

O fato irrefutável é que o governo estadunidense patrocinou um amplo programa de difamação e de ridicularização do povo marciano, principalmente por meio de seu cinema fascista, que produziu milhares de filmes estereotipando os marcianos como uma raça feia, deselegante e mal intencionada. Não foi à toa que apelidaram Marte de “planeta vermelho” − a velha estratégia de difamação do comunismo!

Mas a farsa foi desmontada…

Para a sorte dos marcianos, os líderes do PSOL – Partido dos Anjinhos Ensolarados – já estão preparando um pacote de medidas que devem ser encaminhadas à ONU, para serem apresentadas aos demais governos do nosso mundo.

São sete as providências fundamentais para se fazer as devidas reparações históricas.

1° – Por causa da mentira imposta à humanidade, o atual governo dos Estados Unidos deve ser destituído para dar lugar à Liga de Conciliação Estelar, que deve ser composta por membros eleitos democraticamente nos países que estão na vanguarda do desenvolvimento humano: Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, Argentina e Brasil.

2° – Uma vez instituída, a Liga deve criar uma Constituição Universal que garanta moradia, saúde, educação, transporte, cultura e lazer gratuitos e de qualidade a todos os marcianos.

3° – A implantação de um sistema de cotas na NASA e em todas as agências e empresas de tecnologia aeroespacial da Terra não apenas para devolver aos marcianos a posição de destaque na produção tecnológica da galáxia, mas também para que esta produção seja voltada para os interesses sociais.

4° – A criação de um intercambio cultural entre Marte e o nosso planeta para que sejam realizados, através de diversos eventos artísticos, debates sobre a discriminação de raça e de gênero e também sobre as questões que envolvem os povos excluídos pelo capitalismo no sistema solar.

5° – A criação de um programa de difusão do socialismo como elo de integração entre os povos do universo. Para tanto, a Liga de Conciliação Estelar enviaria representantes de movimentos sociais e da academia para Marte, onde ajudariam na organização de uma rede de estudos marxistas-leninistas-bolcheviques-bolivarianos focada na educação da juventude marciana.

6° – A construção de uma ciclovia entre a Terra e Marte para se promover a mobilidade sustentável na galáxia. Basta de mega propulsores!

7° – A criação de um fundo permanente para a manutenção e expansão dos projetos apresentados acima, com recursos dos países atualmente mais ricos do nosso mundo, aqueles que historicamente se beneficiaram com a exploração capitalista imposta aos nossos companheiros marcianos.

“Brasileiros e marcianos de toda galáxia e também do Brasil, sem dúvida alguma estamos vivendo um momento inédito que nunca vivemos antes. Tenho certeza… e acho que todos aqui também têm… e quem não tem logo terá, porque as certezas às vezes são incertas… como o abacaxi que nasce da Terra, mas poderia ser um coqueiro, não sei… ninguém sabe… Mas agora, todos nós sabemos que eles vieram e que também existem. E digo mais: Levaremos nossa mandioca para Marte e lá nossos amigos marcianos farão delas a fonte de energia que revolucionará as cidades urbanas e rurais do sistema solar, do Brasil, de Marte e de todas as estrelas democráticas”, disse a presidenta do Brasil, Dilma Youssef, registrando seu compromisso com a revolução progressista universal que agora se inicia.

A certeza que temos é que não apenas devolveremos a dignidade ao povo marciano, mas também interromperemos definitivamente o projeto de exploração capitalista-imperialista-fascista-burguesa-homofóbica-racista que vem destruindo o universo.

Companheiros de Marte, sejam bem vindos!



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Rio: onde o Uber é proibido por lei e o Waze, pelo crime

Esse marginal perigoso foi tratado como "vítima inocente" da PM.

Esse marginal perigoso foi tratado como “vítima inocente” da PM.

“Um engano fez desabar uma tragédia sobre uma união feliz de quase meio século”, começa a reportagem do GLOBO sobre a empresária baleada e morta numa favela de Niterói ao errar o caminho por conta do aplicativo Waze.

O caso não é isolado, infelizmente. O Rio, repleto de favelas dominadas por bandidos (desde os tempos de Brizola), tornou-se um lugar selvagem em que motoristas não podem mais confiar nas rotas dos aplicativos, que não foram criados para prever traficantes armados.

“Nós temos o direito de ir e vir para onde quisermos, mas isso é cerceado pelo próprio governo, e, no fim, a culpa acaba sendo da vítima, que, inadvertidamente, vai parar numa favela”, desabafa um amigo de Regina, a empresária morta pelos bandidos.

A mentalidade do carioca já está tão transformada pelo cotidiano de violência e pela narrativa de esquerda que, de fato, muita gente acaba culpando as vítimas pelos crimes. “Também, quem mandou usar relógio bom na praia?!”; “por que resolveu confiar num aplicativo?”; “tinha que circular com uma bike tão cara por aí?”; “com esse carrão você está pedindo para ser assaltado!”; etc.

O carioca perdeu o senso do absurdo. Neste sábado, resolvi dar uns tiros com um amigo, e coloquei no Waze o endereço do stand de tiros mais próximo de minha casa, em Weston. Ele errou o caminho, me mandou para uma igreja (algum sinal divino?). Detalhe: tinha um relógio de marca famosa no pulso. Pergunta: o leitor acha que fiquei tenso por um só segundo?

Pela primeira vez na vida dei tiros com um fuzil. Segundo meu amigo, tenho um talento natural, e acertei vários tiros no alvo. Percebam a diferença: qualquer um pode chegar e dar tiros com um fuzil nos Estados Unidos, país bem mais seguro que o Brasil, que tem leis infinitamente mais restritivas às armas. Aqui na Flórida, atirar com fuzil é lazer, programa de fim de semana familiar. Enquanto isso, nas favelas cariocas esse armamento pesado é predominante, nas mãos de marginais.

Está tudo trocado, tudo invertido em nosso país, em nossa “cidade maravilhosa”. A narrativa esquerdista transforma bandidos em vítimas, vítimas em culpados. As armas são tidas como as responsáveis pelos crimes, não os indivíduos. E uma tecnologia fantástica como a do Waze, desenvolvida em Israel, sequer pode ser usada no Rio, pois é perigoso demais.

Ficamos, então, assim: a cidade proíbe o uso do Uber, para garantir a reserva de mercado dos taxistas, e o crime veta o uso do Waze, pois a qualquer momento você pode errar o caminho e se deparar com traficantes fortemente armados que atiram para matar, seguros da impunidade. E tudo isso visto como normal, como parte do cotidiano do carioca. O segredo é evitar os locais perigosos, cada vez em maior quantidade. Daqui e pouco todos terão de ficar em suas casas, e mesmo assim não haverá segurança.

Mas ai de quem elogiar ou quiser passar um tempo em Miami: “coxinha” com complexo de vira-lata! Legal mesmo é viver na selva carioca, com muita adrenalina, onde a cada esquina você pode encontrar uma “pobre vítima da sociedade” com uma arma ilegal na mão, enquanto o cidadão ordeiro é tratado como bandido pelo governo e não pode sequer se defender. O Brasil cansa…

Rodrigo Constantino



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Ofensiva contra TCU é truculenta, autoritária, bolivariana e golpista

Fonte: GLOBO

Fonte: GLOBO

O PT é mestre na arte de acusar os outros do que faz, como ensinou o titio Lenin. Por exemplo: quando um petista acusa alguém de ser “golpista”, pode estar certo de que o faz diante de um espelho, para ser mais convincente. Todos aqueles que defendem a aplicação das leis para todos, ou o processo de impeachment previsto pela Constituição, foram chamados de “golpistas” pelos petistas. Mas eis que o PT desfere agora o maior golpe contra as regras do jogo e a democracia, ao tentar afastar o relator do TCU:

A ofensiva, a cargo de três ministros da tropa de choque de Dilma, ocorre a três dias do julgamento das contas no Tribunal de Contas da União (TCU), marcado para as 17 horas da próxima quarta-feira, 7. Essa passou a ser a principal estratégia para tentar adiar o veredicto no tribunal, que deve votar pela rejeição das contas de Dilma. A oposição pretende usar o parecer para embasar o pedido de impeachment da presidente. Se o plenário não concordar com o governo e mantiver a relatoria, a AGU já anunciou que fará o mesmo pedido de suspensão na Justiça. A instância provável é o STF.

Os ministros da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciaram que o governo protocola amanhã no TCU uma arguição de suspeição de Nardes. Adams e Cardozo querem que a Corregedoria do tribunal abra um processo para apurar a conduta do relator, que já manifestou a intenção de votar pela rejeição das contas. O governo quer a troca do relator, o que precisa ser decidido pelo plenário do tribunal.

Caso isso não ocorra na própria quarta, o julgamento poderá ser adiado. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, também participou do anúncio da medida, em entrevista coletiva à imprensa convocada na AGU na tarde deste domingo.

Trata-se de uma manobra desesperada dos “três porquinhos”, ou “três patetas”, como disse Reinaldo Azevedo. O PT, apavorado com o risco do impeachment, tenta melar o jogo, ganhar no tapetão, mudar o árbitro. O ministro do TCU já esclareceu que não antecipou seu voto, e que o debate vem ocorrendo faz tempo, inclusive com dois julgamentos já feitos.

Os petistas agem como aquele sujeito que está perdendo e tenta embaralhar todas as cartas na mesa. A tentativa de golpe, portanto, vem do próprio PT, que não aceita a igualdade perante as leis. A oposição, dessa vez, parece ter acordado para o risco bolivariano e subiu o tom. Aécio Neves, por exemplo, foi categórico em sua crítica:

O governo age como um time que, vendo que está perdendo de goleada a partida, pede para mudar o juiz. Chega a ser patética essa tentativa extrema de buscar desqualificar o Tribunal de Contas da União e os pareceres técnicos elaborados com rigor e isenção. Na verdade, essa ação truculenta e desrespeitosa do governo através do titular da AGU só consegue demonstrar de forma definitiva que faltam argumentos sérios para responder aos questionamentos feitos pelo TCU, e escancaram o enorme receio de uma histórica derrota quando do julgamento das contas presidenciais. Felizmente, e ao contrário do que parece supor o Advogado Geral, o TCU não é órgão subordinado ao Poder Executivo e cumprirá o seu dever de julgar com independência e baseado em argumentos técnicos. É hora de mostrarmos definitivamente que no Brasil a lei deve ser cumprida por todos, em especial por quem deveria dar o exemplo: a presidente da República.

Leis e PT não combinam na mesma sentença. O PT é golpista por tradição, por “princípios”. O deputado tucano Bruno Araújo foi ainda mais enfático: “A ação bolivariana ora em curso abre um precedente grave e representa um retrocesso nas relações entre as instituições da República. Estamos diante de uma sombria agressão à democracia”.

Como já cansei de dizer aqui, o PT faz muito mal à democracia brasileira, justamente por não aceitar as regras do jogo. O partido encara a própria democracia como uma “farsa burguesa”, como um instrumento que deve ser usado para chegar ao poder, nada mais. E não importa como, pois os petistas estão sempre dispostos a “fazer o diabo” para seu “nobre” fim.

Estamos diante de mais uma escancarada tentativa de golpe do PT. Não podemos ficar passivos diante disso, achar que é normal. A negligência de hoje será paga com o sofrimento de amanhã, quando o Brasil for mesmo um país bolivariano. Aqueles que acham graça desse alerta, que o chamam de “paranoico”, que dormem tranquilos por acreditar que jamais seremos como a Venezuela, não sabem que a liberdade se perde raramente de um só golpe, mas sim gradativamente.

Acorda, Brasil! Ou acabamos com o PT, ou o PT acaba com nossa democracia…

Rodrigo Constantino



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Em defesa da boa Gramática

suma gramatical

Quando minha amiga e tradutora Márcia Xavier de Brito me mandou de presente o livro Suma Gramatical da Língua Portuguesa, de Carlos Nougué, achei que era algum toque sobre meus eventuais erros gramaticais, normal para quem escreve uns cinco artigos por dia e não é um Reinaldo Azevedo da vida que, apesar de católico, deve ter feito algum pacto com o Diabo para escrever em tanta quantidade com tanta qualidade (de conteúdo e forma).

Mas bastou ler a orelha para perceber que não era nada disso. Em uma época de relativismo exacerbado, tanto estético como moral, alguém com o currículo de Nougué defendendo a importância das regras gramaticais é algo necessário, especialmente num país em que “nós pega os peixe” e “pra mim fazer” já passaram a ser vistos como algo normal, como “apenas diferente”. Sem normas, a língua está perdida, e todo o restante também.

Abaixo, a orelha na íntegra para que o leitor possa tirar as próprias conclusões:

Alguns hoje se empenham com afinco em desacreditar a Gramática, porque, segundo eles, as línguas não necessitam de regras que as constranjam: basta deixar que sigam seu curso, livremente. Mas isso é falso, porque, deixada à deriva, sem regras que a dirijam, a língua seria como as águas de um rio, puro fluxo, ao ponto de não poder falar-se duas vezes como a mesma língua. É parte intrínseca de toda e qualquer língua ter regras; é o dique sem o qual ela fluiria sem nenhuma permanência e os próprios defensores da tese da língua sem regras nem poderiam propor sua tese: simplesmente porque nem sequer haveria nenhuma língua.

As línguas, sim, corrompem-se, mas menos impetuosamente quando, em meio a uma verdadeira civilização universal (ou tendente à universalidade), há a escrita com sua arte própria e especial, a Gramática. Mais ainda, neste último caso podem tender até a grande estabilidade: foi o que se deu com o latim ao tornar-se língua altamente normatizada e ordenada à Ciência e à Sabedoria.

A Suma Gramatical da Língua Portuguesa – Gramática Geral e Avançada, de Carlos Nougué, não só reafirma a necessidade imperiosa da Gramática e seu caráter essencialmente normativo, mas aprofunda-se solidamente em seus pressupostos teóricos, a fim de fazer frente eficaz tanto aos numerosos ataques que lhe movem como às próprias debilidades da tradição gramatical. Só o faz, porém, para melhor inserir-se nesta mesma tradição. Segue nisso a palavra do gramático venezuelano Andrés Bello: “A prevenção mais desfavorável […] é a daqueles que julgam que em gramática as definições inadequadas, as classificações malfeitas, os conceitos falsos carecem de inconveniente, desde que, por outro lado, se exponham com fidelidade as regras a que se conforma o bom uso. Eu creio, contudo, que essas duas coisas são inconciliáveis; que o uso não pode expor-se com exatidão e fidelidade senão analisando os princípios verdadeiros que o dirigem, porque uma lógica severa é indispensável requisito de todo e qualquer ensino”.

Como diz o desembargador Ricardo Dip em sua apresentação, a Suma Gramatical da Língua Portuguesa é obra teórico-prática não só de um gramático e professor experiente, “mas também de um filósofo prudente, de alguém acostumado a leituras árduas e que não se deixa abater pelas tempestades periféricas: vai às profundezas, em busca de fundamentos últimos aos quais possa discretamente arrimar sua arte regulativa, a da palavra”.

Eis o currículo do autor:

Carlos Nougué, nascido em 1952 na cidade do Rio de Janeiro, ocupou a cadeira de Língua Portuguesa e a de Tradução Literária durante mais de nove anos numa pós-graduação (UGF). Ministra o curso on-line Para Bem Escrever na Língua Portuguesa, de 60 horas. Lexicógrafo, participou da redação de três dicionários. Tradutor do latim, do francês, do espanhol e do inglês, verteu à nossa língua filósofos como Cícero, Sêneca, Agostinho, Tomás de Aquino, Louis Lavelle e Xavier Zubiri, e literatos como Cervantes, Quevedo e Chesterton. Ganhou o Prêmio Jabuti/93 de Tradução e foi indicado outras duas vezes ao mesmo prêmio, uma delas pela tradução de D. Quixote. Dedica-se agora à escrita de longa obra filosófica, Das Artes do Belo: Imitação e Fim.

Da quarta-capa, temos isso:

Dizia o gramático venezuelano Andrés Bello: “Sendo a língua o meio de que se valem os homens para comunicar uns aos outros quanto sabem, pensam e sentem, não pode ser menos que grande a utilidade da Gramática, já para falar de maneira que se compreenda bem o que dizemos (seja de viva voz, seja por escrito), já para fixar com exatidão o sentido do que outros disseram”.

Esse é o ponto de partida da Suma Gramatical da Língua Portuguesa – Gramática Geral e Avançada, na qual Carlos Nougué, sem descuidar em nada dos pressupostos teóricos da arte da Gramática, reafirma a finalidade desta: ensinar a escrever, a ler e ainda a falar. Isso porém só se consegue mediante a formulação de regras as mais simples e de abrangência o mais ampla possível – o que implica evitar, ainda quanto possível, as exceções.

Esse é o modo de proceder da obra que o leitor tem agora diante dos olhos, e que já faz parte da biblioteca essencial das artes liberais.

Num país repleto de analfabetos funcionais “educados” por pedagogos inspirados no comunista Paulo Freire, torna-se essencial defender o clássico, a regra, a norma, a boa Gramática. O livro está bem ao meu lado para eventuais pesquisas. Dada a quantidade de textos diários que escrevo, não posso garantir sempre a boa qualidade estética, mas ela deve ser sempre a meta a ser alcançada.

Um mundo que abandonou o apreço pela regra gramatical é um mundo mais feio, menos aprazível, com pensamentos mais confusos, já que a boa escrita é fundamental para nossa compreensão do que é dito. E beleza é sempre algo crucial para tornar nossas vidas mais interessantes.

Rodrigo Constantino



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domingo, 4 de outubro de 2015

Esquerda radical prefere a versão em vez de o fato

estrela_mentira

Quem acompanha os artigos de Samuel Pessôa na Folha sabe que o economista ligado aos tucanos sempre focou nos argumentos, nunca em ataques pessoais. Não concordava sempre com ele, mas achava louvável seu esforço de debater somente ideias e fatos, sem cair na tentação de atacar as intenções alheias. Confesso que muitas vezes achei seus artigos até um pouco enfadonhos, pois repletos de números e tecnicidades.

Mas paciência tem limite, especialmente quando, do outro lado, há uma legião que não liga a mínima para debates honestos. Falo, claro, do PT, que nunca prezou pelo bom debate de ideias, por trocas sérias que pudessem aproximar ambos os lados da verdade. Petistas têm aversão aos fatos, pois estes derrubam todo seu sensacionalismo populista.

Fico feliz, então, que a ficha esteja caindo para muitos tucanos. Eles aturaram por tempo demais a perfídia petista como se do lado de lá houvesse interlocutores com honestidade intelectual dispostos a debater de verdade. Ledo engano. O PT não quer saber de nada disso. Só quer insistir numa narrativa oportunista que o ajude a ficar no poder, nada mais.

Na coluna de hoje, Samuel Pessôa parece ter se dado conta disso, depois de ser alvo de vários ataques pessoais de gente que, incapaz de rebater seus argumentos, prefere acusar suas intenções, supostamente ruins, insensíveis. A esquerda radical, que “acusa” o próprio PSDB de ser de direita, só deseja o monopólio das virtudes, nem que para tanto tenha que ignorar os fatos. Diz Pessôa:

[…] parece que fazer política tendo como hipótese que tudo que interessa é a versão, e não, os fatos, é consistente com um grupo político que crê não existir restrições econômicas nem fundamentos econômicos de fato. Ou seja, não há fato econômico.

[…]

A narrativa desses textos pressupõe que qualquer alocação econômica é possível se houver economia política que a suporte. Se a inflação aumenta, é porque os empresários conseguem se impor sobre o resto da sociedade, não por que há excesso de demanda sobre a oferta.

Se o crescimento é pouco, é porque os empresários fazem greve de investimento. Não porque, em função de fatores fundamentais (baixa qualidade educacional, baixa taxa de poupança, complexidade tributária e institucional em geral, excesso de litigiosidade, intervencionismo desastrado no âmbito da nova matriz econômica, etc), o crescimento da produtividade é baixo e cadente.

Se os juros são elevados é porque uma conspiração dos rentistas com a diretoria do BC os mantêm assim, e não porque a taxa de poupança brasileira é baixa. Se há uma crise gravíssima, como a atual, ela é profecia autorrealizável produzida pela imprensa e pelos colunistas liberais, que alimentam o terrorismo de mercado. Eu sou um dos culpados!

Bem-vindo ao meu mundo, Pessôa! O PSDB tratou com um respeito imerecido o PT por tempo demais, sem perceber que isso jamais aliviaria o partido dos ácidos ataques petistas. Os tucanos acharam que era possível ter paz e preservar uma esfera de debate construtivo se tratassem os petistas como iguais, como pessoas que discordam, mas com legitimidade e desejo de avançar na compreensão do mundo. Que ingenuidade!

Hoje, os tucanos são alvos dos petistas com base em suas “terríveis intenções”. São conspiradores, defensores dos rentistas, dos especuladores, lacaios do capital e dos ianques etc. Ou seja, não adiantou nada o PSDB agir com delicadeza e gentileza para com bárbaros indecentes. O resultado foi o mesmo: o PT não faz distinção entre um liberal “radical” como eu e um tucano moderado social-democrata. Todos nós somos ruins, pois essa é a versão que importa, para seu único objetivo, que é o poder.

Há um exemplo claro na Folha hoje mesmo, com uma entrevista de Márcio Pochmann. O “economista” ligado ao PT insiste na ladainha de que a elite resiste à ascensão dos pobres, e por isso combate tanto o PT. Ele é incapaz de admitir o fato ululante de que estamos em grave crise por causa das medidas inflacionistas do governo petista, e prefere culpar o “ajuste fiscal” pelos problemas, para vender a versão ridícula do partido. É muita falta de honestidade!

Espero, sinceramente, que a esquerda civilizada tenha aprendido a lição. Não há como fazer concessões a quem simplesmente não quer debater de verdade, a quem prefere nos eliminar em vez de dar o braço a torcer e reconhecer seus próprios erros. Os petistas não gozam de honestidade intelectual, e se isso não ficou claro até agora, então se trata de uma cegueira espantosa por parte dos tucanos.

Da mesma forma que o “partido” de Lula faz mal à democracia, os “economistas” ligados ao PT fazem muito mal ao debate econômico no país. No dia em que as divergências legítimas entre os tucanos e os liberais forem debatidas com respeito e honestidade, sem a poluição dos “desenvolvimentistas” que deliberadamente matam todos os fatos para salvar sua narrativa ideológica, aí sim o Brasil terá avançado e dado um passo importante rumo ao desenvolvimento e à maturidade.

Rodrigo Constantino



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