Falar mal é uma arte. Os que decidirem enveredar por aí, pra começo de conversa, tem de ter humor. Ou o que vaza é só azedume.
Ok. O COB havia estabelecido como meta que o Brasil ficasse entre os dez primeiros da Olimpíada do Rio. O país acabou em 13º. Houve algumas frustrações, como a natação e o vôlei feminino. De qualquer modo, há, sim, razão para alguma comemoração.
Vamos ver. Desde 1912, quando ganhou suas três primeiras medalhas, até 1992, outro dia, em Barcelona, os brasucas conquistaram apenas 39 distinções. Foram nada menos de 18 disputas.
De 1996 para cá, em seis jornadas, arrebatou 89: um terço dos jogos, com 50 distinções a mais. Desta vez, foi o maior número de conquistas: 17 — e o maior número de ouro: 7. Há muito ainda a ser feito? Há, sim! Nessa área como em tudo mais. Os investimentos estão longe do ideal.
Por que faço essa observação? O Comitê Olímpico do Brasil comemorou o desempenho da equipe brasileira, que ficou com 19 medalhas: 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. Há alguns espíritos de porco tirando o sarro. Por quê?
O Brasil ainda chegou a 71 finais, quase o dobro em relação a Londres-2012, quando foram alcançadas 36. Também ficou 19 vezes em quarto ou quinto lugares, em 11 modalidades diferentes.
O Wall Street Journal resolveu destacar que o Brasil liderou o número de “medalhas de chumbo” da Rio-2016. Essa é a expressão usada para classificar os países com mais atletas que terminaram suas respectivas provas no último lugar.
Segundo levantamento da publicação, o Brasil foi líder isolado. Venceu 21 medalhas de chumbo, 12 a mais que o segundo colocado, o Egito. É a segunda Olimpíada consecutiva em que o país-sede tem o “melhor pior desempenho”. Em Londres-2012, a Grã-Bretanha foi a campeã. A explicação: países-sede, por possuírem atletas em modalidades nas quais não competiriam se não sediassem os Jogos, costumam subir mais frequentemente ao “pódio invertido”.
Logo, o gracejo é sem graça. É um jeito sem talento de falar mal.
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