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sábado, 4 de outubro de 2014

O candidato honesto: ele existe?


Acabo de ver “O candidato honesto”, filme novo com Leandro Hassum, nosso Jim Carey “tupiniquim”. Assim como em “O Mentiroso”, o personagem de Hassum não consegue mais mentir após sua avó supostamente lhe lançar uma mandinga. O que se segue, em plena campanha eleitoral pela presidência, é um espetáculo de desespero hilário do deputado, uma vez que mentir é de sua natureza e seu ofício.


O filme é engraçado, adequado para um domingo à noite (sei que muitos ficam deprimidos só ao escutar a musiquinha do “Fantástico”). Tira sarro de muita gente, a começar por uma “indireta” ao nosso ex-presidente Lula, já que o homem humilde, do povo, que fora motorista de ônibus, acabou se aposentando e liderando greves como sindicalista após perder um mamilo num acidente.


Mas a metralhadora giratória pega em todo mundo. Ele vira o “caçador de corruptos”, alusão ao nosso velho “caçador de marajás”, hoje aliado do PT e de Dilma. Seu partido tem como símbolo os pica-paus, clara sátira aos tucanos do PSDB. Usa o helicóptero do governador só para buscar o cãozinho de estimação (alô, Cabral!). E se envolve num esquema de corrupção chamado “mesadinha”, até porque mensalão já tinha sido “registrado” por outros.


Sarney surge em cena, mas não vai se encontrar com Ulysses Guimarães, pois no céu é que não entra. Sobra até para a Petrobras numa cena, quando Getúlio Vargas é invocado pelo pai de santo e quer saber como está sua criatura: nada bem. A revista de destaque é a Seja (é “nóis”!). Tudo bastante cômico, com o destaque para o desempenho do humorista gorducho que não tem papas na língua e não sucumbe diante do politicamente correto. Aliás, é linguajar chulo do começo ao fim.


Mas eis que a famosa frase de Churchill sobre a democracia é utilizada, após o próprio aparecer com enorme destaque decorando um bar, no discurso final do deputado. Trata-se do pior modelo de todos, exceto todos os demais que já foram tentados. É preciso apostar nela, ainda que o sistema seja basicamente podre, que a lei da sobrevivência leve aqueles que entraram com ideais a se corromper ao longo do processo.


João Ernesto, personagem de Hassum, conclama cada cidadão a votar de forma consciente, lembrar que é preciso rejeitar o “rouba mas faz”, que não se pode trocar o voto por um agrado do político, uma camiseta, uma esmola, que isso prejudica nossos filhos e netos, e que há, sim, gente séria na vida pública.


Romantismo cinematográfico à parte, repudio o discurso de que todos são iguais, de que não há diferença alguma entre os políticos. Só adota tal desculpa quem quer defender os piores! Não por acaso esse tem sido o discurso oficial do PT, o partido mais corrupto de todos, e também o mais autoritário, aliado do que há de mais nefasto mundo afora. Quer se justificar alegando que faz o que todos fazem, o que é falso. O PT é muito pior!


Portanto, caro leitor, mesmo que não tenha visto o filme ainda, recomendo que faça o que o personagem prega: use a consciência, pense no longo prazo, nos filhos e netos, e diga “não” aos notórios safados, àqueles que pretendem se perpetuar no poder custe o que custar, falando em nome do povo brasileiro enquanto desviam nossos recursos para suas próprias contas bancárias.


É ótimo fazer piada da situação, e o humor é, inclusive, fundamental para a própria democracia e a liberdade de expressão crítica; mas política é coisa séria, pois quem banca o palhaço é o eleitor que ignora o poder que coloca nas mãos dos políticos. Que sejam os melhores (ou menos piores)!


Rodrigo Constantino







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