Dilma Rousseff, à beira do surto e pensando até em bater à porta dos quarteis só para ouvir um “não” e, assim, alimentar a ficção do “golpe”, resolveu chamar Michel Temer, o vice, de chefe da conspiração. E insinuou, como fizeram outros no governo, que Temer vazou a mensagem de WhatsApp de caso pensado.
Bem, como sempre, desmonta-se a arquitetura mental desta senhora num piscar de frases: no caso em questão, quem vaza não conspira, e quem conspira não vaza, certo? Se era uma conspiração, vazar pra quê? Não faz sentido, a exemplo de quase tudo o que ela diz. Adiante.
Eu estou entre aqueles que vão ficar bem tristes se descobrirem que foi mesmo um vazamento e que Temer, em vez de enviar o discurso ao amigo “X”, acabou mandando para um grupo do WhatsApp. Por mim, gostaria de dar os parabéns ao autor da ideia, houvesse um.
Elio Gaspari http://ift.tt/1S5SPi8 escreveu na Folha de hoje uma coluna a respeito da fala do vice-presidente e fez uma análise inovadora — e ruim — na área da chamada interpretação de texto.
Em vez de analisar o que disse o vice, preferiu fazer digressões sobre o que ele não disse. Como o campo daquilo que alguém não diz é infinito, sobra espaço para a imaginação voar à vontade.
Como, notou Gaspari, Temer não falou a palavra “corrupção”, segue a ilação — ao gosto de Marina Silva, note-se — de que, sob um eventual governo do hoje vice, a Operação Lava Jato estaria correndo riscos.
Não estou analisando o que o colunista não disse, mas o que ele disse. Está escrito lá: “Uma coisa é o destino da doutora Dilma. Bem outra são a Lava Jato e suas subsidiárias que estão encurralando oligarcas. É insultuoso supor que uma pessoa queira defenestrar a doutora e o PT para travar a Lava Jato, mas quem quer freá-la pode achar que uma troca é boa ideia.”
Embora o volteio retórico possa confundir os ligeiros, o fato é que vai ali a suposição de que a operação correria riscos. Bem, então seria preciso dizer por quais caminhos. Ora, conhecemos os efeitos das várias tentativas do governo petista de frear a operação. Parece que não deu certo.
O suposto risco que correria a Lava Jato virou o mantra daqueles que, vendo motivos de sobra para impichar Dilma e não vendo um único para fazer o mesmo com Temer, decidem pedir a cabeça dos dois e convocar eleições, como se o país não tivesse Constituição e leis.
De resto, quem demonstrou disposição de enfiar a mão grande na Polícia Federal foi Eugênio Aragão, o buliçoso ministro da Justiça.
Chegou a hora de parar com firulas diversionistas. Dilma cometeu crime de responsabilidade e tem de ser impichada por isso. Michel Temer é o vice e vai assumir a Presidência em caso de impedimento da titular. Se, em algum momento, no exercício do cargo, ficar demonstrado que é incompatível com a função, também ele pode cair.
Para arremate, lembre-se que, por mais conspirador que Temer fosse, como insiste Dilma, não foi ele que convidou a presidente a cometer crime de responsabilidade e a conduzir o país à beira do abismo.
Essa é uma obra que ela executou por conta própria, em parceria com seus companheiros de legenda.
from Reinaldo Azevedo http://ift.tt/1V0BEEG
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