O governo decidiu lançar uma campanha contra a xenofobia — que, de resto, inexiste no Brasil. Estamos importando o combate a um mal que não temos. Fazer o quê? Na propaganda um garoto negro, de 18 anos, diz que seu avô é angolano, e seu bisavô, ganês. E a peça publicitária sentencia: “Brasil, a imigração está no nosso sangue”.
Foi um deus-nos-acuda nas redes sociais. Os que se querem senhores da causa negra caíram de porrete no Ministério da Justiça, que estaria confundindo imigração com escravidão — extinta no Brasil há 127 anos, bem antes, certamente, do nascimento do avô e do bisavô do rapaz. Assim, entenda-se, o negro se tornou escravo de um passado e não pode servir a nenhuma outra causa.
Essa gente está deixando o mundo chato e burro. Contra certa vertente cínica do meu pensamento — refiro-me ao cinismo filosófico, leitor amigo —, evito exercitar catastrofismos, mas, confesso, dá uma vontade!!! Penso que, às vezes, a civilização terminará — ou resultará — numa luta de gangues oriundas do pensamento politicamente correto.
Se a cor da pele rende divisões inconciliáveis, a sexualidade pode gerar extremistas. Antevejo o exército dos Transgêneros Discriminados Pelos Homossexuais Masculinos Cisgêneros, que, por sua vez, estarão em guerra com os Homossexuais Femininos Cisgêneros, que farão uma aliança estratégica com as Trangêneras Discriminadas pelas Lésbicas Cisgêneras… Não entendeu nada? Você nem sabe nem o que é “cis”? Pois é… Nem eles.
Em latim, “cis” quer dizer “aquém”, não no sentido de “inferior”, mas de “do lado de cá”, “neste lado”. Os falsos etimologistas inventaram que significa “o mesmo”. Besteira. Um “cisgênero” seria alguém que, homo ou hétero, se identifica com o gênero em que nasceu. Ficou complicado, né? É possível que eu tenha feito lambança.
Já houve um mundo com vagina e pênis. E as democracias pelejaram até que cada um conseguisse ser dono do seu pipi ou de sua pepeca, podendo, inclusive, juntar pipi com pipi e pepeca com pepeca. É, admito, uma questão de direito civil. Agora, tudo indica, o que se pretende é levar a fantasia sexual ao poder — e com atribuições normativas para punir os que ainda não entenderam a cartilha.
Na faculdade de jornalismo Cásper Líbero, um desentendimento banal entre uma professora e uma aluna — que decidiu ser aluno — resultou numa denúncia de “transfobia” contra a mestra, que foi posta na rua. A essas divisões, é claro que você pode acrescentar aquele debate sobre a cor da pele. As Transgêneras Afrodescendentes sabem o que sofrem nas mãos das Lésbicas Cisgêneras Caucasianas…
Os héteros, por óbvio, têm de acompanhar essas escaramuças em obsequioso silêncio, já que seriam beneficiados por uma suposta heteronormatividade.
Vivemos num mundo de vítimas em busca do, como é mesmo, “empoderamento”, dispostas a demonstrar como funcionará uma sociedade em que as cartas sejam dadas pelos mais fracos, que, por alguma razão misteriosa, também seriam moralmente superiores. Estamos sob constante monitoramento de patrulhas obscurantistas, a serviço de suas próprias idiossincrasias.
Esse debate já chegou à educação. Ainda voltarei a esse tema. É fortíssimo o lobby das esquerdas para que as escolas passem a ensinar apenas aquela que seria a suposta história dos oprimidos. Tudo o que se ensinou até agora, segundo esses monstros morais, seria só o ponto de vista do opressor. Até o Iluminismo e a Revolução Francesa seriam banidas do currículo. Tudo coisa da burguesia…
Quem fez esses caras porta-vozes dos deserdados da Terra? Se hoje eles podem impor esses códigos e falam em nome dos pequenos, qual é a mágica que faz o oprimido impor a sua vontade ao opressor?
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