Há um esforço de várias frentes para tentar arrastar Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB, para um estranho “arranjão” — já que nem de “acordão” se trata.
Ele iria para o Ministério da Justiça, no lugar de José Eduardo Cardozo. Os petistas ligados a Lula, que não gostam do atual ministro, defendem a mudança. Temer também seria do gosto de Eduardo Cunha, presidente da Câmara (PMDB), que execra Cardozo e considera que ele está na raiz das negociações que fizeram dele o centro da Lava-Jato — o que, de fato, é uma piada.
Ao Ministério da Justiça, está subordinada a Polícia Federal — uma subordinação administrativa apenas. A eventual ida de Temer para a pasta seria parte do acordo que Cunha tenta costurar com o governo, segundo essa leitura.
Pois é… Só que esqueceram de combinar com o vice.
Na manhã de ontem, escrevi aqui um post a respeito dessa possibilidade. E informei que Temer jamais aceitaria a pasta.
E foi o que ele deixou claro nesta quarta. Negou que vá substituir José Eduardo Cardozo de forma muito clara: “Eu vou ficar vice-presidente”.
Que coisa, né? Os gênios já tinham Michel Temer no governo. A ele havia sido dada a coordenação política. Tanto se conspirou contra o vice, que ele se viu constrangido a deixar o cargo — e isso quando a situação política era muito menos grave.
Querer que participe agora de um remendo que será visto como parte de um acordão Dilma-Cunha — para salvar a cabeça dos dois — corresponde a subestimar a inteligência de Temer. E ele teria de ir justamente para, vamos dizer assim, uma pasta do barulho.
Sei bem qual é a intenção de Lula. Uma das tarefas patéticas de Cardozo tem sido combater a oposição, acusando-a de querer o impeachment de Dilma ao arrepio da lei, o que é evidentemente mentira. De toda sorte, essa tarefa seria transferida para Temer, que, ora vejam, vem a ser justamente o sucessor de Dilma caso ela venha a ser impichada.
Ora, os petistas não são bobos. Sabem que setores consideráveis e crescentes da sociedade gostariam de ver Temer na cadeira presidencial. O que se busca é matar, desde já, essa possibilidade, forçando o vice a fazer discursos diários contra o impeachment.
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