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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Levy diz que a sociedade tem de dizer o que quer. Já disse! Quando elegeu Dilma e quando pede que ela saia

Impressionante, sob várias aspectos, a entrevista concedida no começo da madrugada de hoje por Joaquim Levy, ministro da Fazenda, a William Waack e Christiane Pelajo, do “Jornal da Globo”. Em primeiro lugar, destaque-se: é bom assistir a uma conversa de verdade, em que os jornalistas dão consequência à resposta do entrevistado, em vez enfileirar questões. Adiante.

O que se viu foi um Joaquim Levy absolutamente perdido, que confessa, na prática, a falência de um modelo. Ainda que com uma fala um tanto rebarbativa, meio errática, o ministro deixou claro que não vê mais espaço para cortar gastos. Ficou evidente que o governo vai mesmo insistir é na elevação de impostos.

Num dado momento, Levy chegou perto de dizer que é preciso mesmo cortar os tais gastos sociais. Eis aí: quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Se não me engano, Lula é um dos inspiradores de uma tal “Frente Brasil Popular”. Seu principal alvo: a política de austeridade.

Ao longo de 13 anos de governo, o PT foi engessando o Orçamento e ampliando a fatia dos chamados desembolsos obrigatórios, regulados por lei. São eles que sofrem aumentos automáticos. Ainda que o governo corte aqui e ali, gasta-se neste ano mais do que no passado.

O que mais me impressionou foi ver Levy fazendo uma espécie de discurso da união nacional — ou alguma coisa nessa vizinhança. Afirmou, lá pelas tantas, que os brasileiros precisam, afinal, decidir o que querem. E avançou, sugerindo que o eventual aumento de impostos agora seria compensado, mais tarde, pela estabilização da economia e pela retomada do crescimento. Seria, deu pra entender, um esforço concentrado e transitório.

Pois é… O diabo, e Levy sabe disso, é que, para que se faça algo do gênero, é preciso que haja confiança no governo — o que foi devidamente lembrado por William Waack. E essa confiança não existe nem existirá com Dilma. A eventual elevação da carga tributária só vai azedar ainda mais os ânimos.

Levy estava a falar, na verdade, que a sociedade tem de pactuar o que quer. Pois é, ministro!!! Um técnico como o senhor não tem mesmo de ser um especialista em política — sim, neste governo, ninguém é. Mas eu lhe refresco a memória.

A sociedade disse o que queria, ao menos por maioria, ainda que apertada, nas urnas. Dilma ganhou a (re)eleição há menos de um ano e ainda não fechou nove meses de seu segundo mandato. Como sabe Levy, a situação da economia em outubro do ano passado já era dramática. Mas Dilma não apenas omitiu isso dos brasileiros como acusou os que apontavam os problemas de “pessimistas”. João Santana criou até uma personagem para ironizar os críticos: o “Pessimildo”.

Na entrevista ao “Jornal da Globo”, Levy disse, em síntese, que o país está mesmo quebrado, que não tem dinheiro para pagar as contas, que não há mais onde cortar e que, sem novos impostos, não há solução. A resposta está na política. Com a matemática, já não resta quase nada a fazer.

Tendo a concordar. Se ele espera, no entanto, que Dilma tem condições de liderar um consenso mínimo, pode botar o burro na sombra e voltar para o Bradesco. Isso não vai acontecer. 



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