O ator Dustin Hoffman disse que Hollywood vive sua pior fase, e eu concordo. Está difícil peneirar algo decente nos filmes de hoje, e quando aparece um bom, é motivo para comemoração. Vi neste domingo “Woman in Gold”, baseado em fatos verídicos, e recomendo.
É a história de Maria Altmann, uma refugiada judia da Áustria que descobre, nas cartas da irmã que acaba de morrer, documentos que comprovam o título de propriedade de um famoso quadro pintado por Gustav Klimt, que tem sua tia como modelo.
Ela resolve, então, aproveitar a brecha nas mudanças legais do país para pedir a restituição da propriedade de sua família, que fora roubada pelos nazistas. Claro que há muito mais em jogo do que uma obra de arte avaliada em até US$ 100 milhões; há o resgate do passado, da humilhação sofrida pelos brutos, o direito de se fazer justiça, enfim.
Maria, em atuação excelente de Helen Mirren, encontra ajuda no jovem advogado Randol Shoenberg, personagem de Ryan Reynolds, que era neto do famoso compositor austríaco. A cruzada de ambos se torna, então, uma visita aos fantasmas do passado, com vidas destruídas pelos nazistas, que perseguiram implacavelmente os judeus.
O advogado conseguiu aprovação da Suprema Corte americana para levar o caso à justiça americana, e usou como argumento uma bela mensagem: a refugiada foi para os Estados Unidos em busca de liberdade, fugindo dos assassinos nacional-socialistas; seria muito oportuno o país lhe oferecer, também, justiça. Aquele quadro podia ser o mais famoso do museu austríaco, mas era, antes de tudo, propriedade de sua família, e era seu direito, portanto, tê-lo de volta.
Coletivismo tosco de um lado, representado pelo nazismo, e propriedade privada do outro, representada pelos Estados Unidos. Os bárbaros julgam-se no direito de pilhar, de roubar, em nome do coletivo, seja ele a raça, a nação ou a classe. Assim fizeram os nacional-socialistas, os fascistas, os socialistas e comunistas. A civilização protege o direito de propriedade individual.
Há momentos em que o passado exige seus direitos ao presente. Com essa frase o advogado tenta persuadir os árbitros austríacos que terão de decidir, finalmente, o complexo caso. Novamente, uma bela mensagem com tom conservador. Afinal, são os conservadores que mais valorizam as tradições, e a importância dada aos antepassados, assim como o respeito aos que ainda nem nasceram, ao contrário dos “progressistas” que fomentam o hedonismo do carpe diem, do aqui e agora, como se o presente não tivesse elos com o passado e não lhe devesse respeito e reverência.
Outra passagem que merece destaque é o momento em que Maria precisa se despedir dos pais. Seu pai faz um breve, porém emocionante discurso, sobre a importância de não deixar o passado morrer. Por isso ela precisa sempre lembrar deles, daquilo que eles passaram, algo que é bem típico da cultura judaica. Ele, que era um homem bastante rico, lembra também que sua família chegou na Áustria com as mãos abanando, e que construíram tudo o que tinham. Por fim, fala em inglês com ela, a língua de seu futuro, já que seu destino escolhido passava a ser a América, terra da liberdade.
Em tempos de debates sobre imigração ilegal nos Estados Unidos, com declarações um tanto estapafúrdias de Donald Trump, é sempre bom lembrar que essa grande nação foi construída à base de imigrantes, gente que veio com uma mão na frente e outra atrás, em busca de trabalho, de oportunidade, de liberdade. Não eram pessoas em busca de “food stamp”, de esmolas estatais, de “direitos” distribuídos pelo estado-babá, e sim de liberdade e oportunidade de trabalho.
O filme é tocante em outros aspectos. Vivemos em uma fase de recrudescimento do antissemitismo, e os judeus, uma vez mais, passam a ser vistos como inimigos. Além disso, é sempre importante lembrar do que seres humanos, num país tido como culto e civilizado como a Áustria, foram capazes de fazer com outros seres humanos, em nome de uma ideologia coletivista.
Quadro de Gustav Klimt
Minha filha quis compreender como isso foi possível, uma pergunta que atormenta pensadores há décadas. Disse a ela que um dos segredos de Hitler e dos nazistas foi não serem levados a sério no começo. O Diabo adora o truque de fingir que não existe. Muitos ridicularizavam a ameaça nazista e achavam, até o último momento, que o povo jamais permitiria algo tão nefasto. Ignoravam, em suma, o recado dos próprios nazistas e o intuito de Hitler, declarado em seu livro.
Hoje não são poucos os que fingem não entender a mensagem dos fanáticos islâmicos, por exemplo. Ou preferem acreditar que o regime iraniano não está falando sério quando fala em destruir Israel. Na América Latina, em proporção diferente, milhões preferem acreditar que o bolivarianismo não passa de uma brincadeira, que o Foro de São Paulo é paranóia de reacionário, que o PT fala em transformar o Brasil numa nação socialista, mas que isso é mentirinha. O Diabo é muito esperto.
Por falar nisso, também chama a atenção o fato de que petistas, recentemente, resolveram bancar as vítimas… dos nazistas! Em vídeo já comentado aqui, eles se comparam aos judeus, chamando aqueles brasileiros indignados com o PT de nazistas. Nada mais absurdo, e ofensivo às vítimas judias dos nazistas. Os judeus foram exterminados, pilhados, mortos, apenas por serem judeus, por gente que seguia o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista, uma organização criminosa coletivista disfarçada de partido político. Soa familiar?
O PT pode tentar se associar às vítimas judias, mas é mais parecido com seus algozes. Tanto que hoje o partido tem afinidades com aqueles que pretendem, uma vez mais, destruir Israel e os judeus, como o já citado regime iraniano ou os terroristas palestinos. Dilma também acha que é possível “dialogar” com os malucos do ISIS, aqueles que degolam inocentes “infiéis”. Se há uma analogia a ser feita com essa época na Alemanha, ela não é favorável aos petistas, brutos coletivistas que pilharam o Brasil em nome da “justiça social”.
Rodrigo Constantino
from Rodrigo Constantino - VEJA.com http://ift.tt/1HC7OKH
via IFTTT
Nenhum comentário:
Postar um comentário