Dzhokhar Tsarnaev, um dos terroristas que praticaram o atentado durante a Maratona de Boston, no dia 15 de abril de 2013, foi condenado à morte. Se irmão mais velho, Tamerlan, morreu à época, em confronto com a Polícia.
Existe pena de morte em 30 dos 50 Estados americanos. Não é o caso do superliberal Massasuchusetts, onde fica Boston. Ocorre que Dzhokhar foi processado por lei federal, que também prevê a pena capital.
O resultado era mais do que óbvio, e o próprio governo Obama se empenhou para arrancar a condenação máxima. Afinal, depois do 11 de Setembro, foi o primeiro e único atentado terrorista no país com vítimas.
O veredicto tinha de ser dado por unanimidade. E foi assim, depois de três dias de deliberação e de um julgamento que durou dois meses. Agora começa a fase das apelações, e muitos anos, até décadas, podem se passar sem que a execução ocorra.
Um registro pessoal se é que interessa a alguém. Sou contra a pena de morte até num caso assim? Resposta: sim! Não abro exceção para o Estado executar quem quer que seja, depois de o criminoso estar sob custódia, impedido de cometer delitos novos. Legítima defensa ou guerra são circunstâncias incomparáveis do ponto de vista moral. De resto, em casos assim, parece-me que a prisão perpétua é pena bem mais dura.
“Ah, mas então por que não a morte?” De um ponto de vista, que é o religioso, e eu também sou isso, não acho que homens possam tirar a vida de outros homens, e as exceções estão especificadas acima — e, por razões também dessa ordem, repudio o aborto e a eutanásia. Do ponto de vista da filosofia política, um adversário, mesmo quando dessa natureza, tem de ser vencido, não eliminado. Abrir essa porta, parece-me, conduz a humanidade a um mau lugar.
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